Vale saber também que boa parte do app não depende do adaptador. Registrar abastecimentos, despesas, serviços, manutenções, receitas e lembretes, consultar o histórico de viagens e de custos, ver onde você estacionou e lançar uma viagem manualmente funciona sem nenhuma conexão com o carro. E mesmo sem adaptador o app consegue gravar viagens pelo GPS.
Em carros a combustão, em geral não: a central dorme junto com a ignição e não há o que ler, embora alguns modelos fiquem acordados por alguns minutos depois de você desligar.
Em híbridos e elétricos a fronteira é outra. Um híbrido pode estar pronto para andar com o motor a combustão parado, e nesse estado a central responde normalmente, com a rotação em zero. Um elétrico não tem marcha lenta: o equivalente a ligado é o estado de pronto, e vários módulos seguem ativos fora dele, sobretudo durante a recarga, quando costumam responder ao OBD.
Em qualquer um dos casos, se você conectar o telefone antes de o carro acordar, o app continua tentando em segundo plano e retoma sozinho assim que a central responde. E nada disso se confunde com a telemetria embarcada de fábrica (do tipo OnStar e similares), que usa um modem próprio do fabricante e não passa pela porta OBD.
Sim. Cada medida tem a sua unidade, e o app inteiro acompanha: histórico, gráficos, exportações e o que vai para a sua automação residencial.
Você escolhe separadamente distância e velocidade, volume de combustível, consumo, temperatura, pressão, vazão de ar, torque, potência do motor e peso, então convenções mistas funcionam: milhas com litros no Reino Unido, quilômetros com psi no Brasil. Uma instalação nova começa com as unidades usuais da região do celular.
Para isso funcionar, duas coisas dependem de você. A primeira é conceder todas as permissões que o app pede, em especial a de localização em segundo plano, escolhendo a opção que libera o acesso o tempo todo, e não apenas com o app aberto: sem ela o sistema suspende a localização assim que você sai do app, que é exatamente a situação do telefone no bolso enquanto você dirige. A segunda é desativar a otimização de bateria para o Car 2 Home, senão o sistema encerra o app no meio da viagem. Marcas como Samsung e Xiaomi são especialmente agressivas nisso.
E vale deixar claro que isso vale apenas durante a viagem. Quando ela termina e a conexão com o adaptador se encerra, o app fecha o serviço, a notificação some e ele volta a dormir, sem ficar consumindo bateria em segundo plano. Ele é acordado de novo pela forma de inicialização que você escolher: a reconexão automática ao entrar no carro, a Detecção de direção em Configurações > Navegação, que funciona até sem adaptador, ou uma rotina do próprio sistema que abre o app quando o telefone se conecta ao carro.
Assim como no Android, isso depende de você conceder as permissões que o app pede, em especial a de localização em segundo plano e a de Bluetooth. Em Configurações > Navegação existe ainda o controle Reconexão em segundo plano, exclusivo do iPhone, onde você regula por quanto tempo e com que frequência o app insiste em reconectar a cada vez que acorda.
Há um detalhe do iOS que vale muito conhecer: se você fechar o app à força, arrastando ele para cima no seletor de aplicativos, a Apple deixa de relançá-lo quando o adaptador reaparece. O app precisa dormir sozinho, não ser encerrado. Nesse caso a viagem não se perde por completo, porque a segunda forma de acordar, a por movimento, continua valendo mesmo depois do fechamento forçado. Mas ela só dispara depois de uns 500 metros de percurso, então o começo da viagem fica de fora. Deixar o app fechar sozinho é o que garante a viagem inteira.
E como no Android, tudo isso vale apenas durante a viagem: quando ela termina, o app volta a dormir. Você também pode criar uma automação no app Atalhos, do tipo "quando conectar ao Bluetooth do carro, abrir o Car 2 Home", que dá uma terceira via de partida.
No Android, abre. Em Iniciar o app ao ligar o carro, na tela de Conexão, você escolhe o Bluetooth do seu carro na lista e o sistema abre o app quando aquele dispositivo aparece. O carro precisa estar pareado antes nos ajustes de Bluetooth do Android.
No iPhone o sistema não permite, e o caminho é uma automação criada uma única vez no app Atalhos: quando o Bluetooth conectar ao seu carro, abrir o Car 2 Home.
De todo modo, a gravação não depende do app estar na tela. O que o início automático traz é o app reconectar mais cedo.
Evite escolher um modelo parecido. Nomes semelhantes costumam ser carros diferentes, como Corolla e Corolla Cross, e é a partir do modelo que o app sugere o perfil avançado do fabricante. Um vizinho de nome pode trazer o perfil errado, o que atrapalha mais do que ficar sem perfil algum.
Digitar manualmente não limita a leitura: os sensores OBD-II padrão dependem da central do carro, não do nome cadastrado. O modelo pesa na sugestão do perfil avançado e nos cálculos que usam motor e tanque.
Nas leituras ao vivo, o alcance vem dos perfis avançados: o catálogo cobre elétricos e híbridos de dezenas de marcas, europeias, asiáticas e americanas, com sensores que só existem nesses carros, como o estado de carga da bateria de alta tensão, a corrente e a temperatura do pacote, a tensão das células e o resfriamento da bateria.
O que varia é o quanto cada fabricante decide expor pela porta de diagnóstico, e isso muda de modelo para modelo. Vale instalar o perfil avançado sugerido para o seu veículo e conferir em Sensores Suportados o que ele entrega.
O problema é o que vem depois. Sendo elétricos, os Tesla praticamente não implementam os comandos OBD-II padrão, e os dados que interessam trafegam num barramento proprietário. Donos de Tesla relatam que aplicativos que consultam o carro por comando, que é como o nosso funciona, não recebem resposta, e é por isso que os apps feitos para a marca precisaram decodificar esse barramento por conta própria. Nós ainda não testamos o app em um Tesla, então não há garantia de leitura ao vivo mesmo com o chicote instalado.
O que funciona é tudo que não depende do adaptador: o Tesla está no catálogo, então você cadastra o veículo e usa as recargas com consumo em km/kWh, despesas, serviços, manutenções e lembretes, além das viagens gravadas por GPS.
Pode. Todo sensor tem um campo Expressão, que calcula um valor a partir de outros sensores, então dá para derivar o que o carro não informa direto, como potência nas rodas a partir de rotação e torque.
Além disso existe o Acumulador, que mantém uma janela móvel sobre outro sensor. Você escolhe o que fecha a janela, tempo, distância ou número de amostras, e o que ela devolve: soma, média, delta, inclinação ou o último valor. É assim que se monta um sensor como consumo médio dos últimos 50 km.
Perfis embutidos e de catálogo são somente leitura, então o caminho começa exportando o sensor para um perfil seu e editando a cópia.
Você também pode começar uma viagem na hora que quiser, sem esperar a detecção. No Android, pelo app, pelos widgets, pelo Android Auto ou por uma rotina do sistema. No iPhone, pelo app, pelos widgets, pelas Atividades ao vivo, pelo CarPlay, pelos Atalhos ou pedindo à Siri. E se você esqueceu de gravar, dá para lançar a viagem inteira manualmente depois.
O Eco Score é a única nota que depende de uma leitura de consumo, e essa leitura vem do adaptador: o app a deriva do sensor de fluxo de ar, com o sensor de pressão de admissão como alternativa. Numa viagem gravada só por GPS, sem adaptador conectado, não há de onde calcular, e a nota fica de fora em vez de sair errada.
Outros dois casos deixam a nota de fora mesmo com o adaptador conectado: viagens de menos de um minuto e viagens curtas demais para queimar uma quantidade mensurável de combustível. O Safe Score não é afetado, porque é montado a partir do movimento, que o celular mede sozinho.
Continua, até certo ponto. Depois de 3 segundos sem sinal de GPS, o app passa a estimar a posição pelos sensores de movimento do próprio celular, giroscópio e orientação, acrescentando um ponto por segundo para a rota seguir contínua em vez de pular o trecho.
A estimativa acumula erro, então tem limite de 2 minutos. Passado isso, o app espera um sinal real. Cobre bem um túnel ou a rampa em espiral de um estacionamento; não leva você por um trecho subterrâneo longo.
Ao vivo, durante a viagem. Esta via depende de um adaptador OBD conectado, porque é por ele que o app lê os sensores do carro. Quando o carro informa a vazão de combustível, o app usa esse valor; quando não informa, ele estima a partir de outros sensores, como fluxo de ar, carga do motor, rotação e proporção da mistura. O que sai daí é o consumo instantâneo, o consumo acumulado da viagem e médias móveis por distância percorrida, úteis para ignorar o ruído de uma subida ou de um semáforo. O quanto disso o seu carro entrega depende dos sensores que ele expõe.
Pelos abastecimentos, de tanque cheio a tanque cheio. É o número que a bomba comprova: você marca o abastecimento como tanque cheio e o app fecha o intervalo no próximo, dividindo a distância percorrida pelo total abastecido no meio do caminho. Abastecimentos parciais entram na conta. Se você esqueceu de registrar um, marque a opção correspondente e o app quebra o intervalo em vez de sujar a média.
Comparando os dois. A cada tanque o app mostra lado a lado o que o carro informou e o que a bomba comprovou, para você conhecer o desvio do seu veículo.
A parte elétrica é medida à parte, em kWh, com consumo próprio, então um híbrido plug-in nunca mistura as duas.
As fontes são diferentes. O painel do carro calcula a partir do fluxo estimado pela central; o consumo de tanque cheio a tanque cheio mede o que a bomba efetivamente entregou.
As janelas de cálculo também são. Mesmo quando o app usa a vazão informada pelo próprio carro, o número pode não bater com o do painel: cada fabricante faz a média sobre a sua própria janela de tempo ou de distância, com um algoritmo que não é publicado e que dificilmente coincide com as janelas que o app oferece, sejam a instantânea, a da viagem ou as médias móveis por distância. Duas medidas corretas podem divergir só por cobrirem trechos diferentes.
Por isso o app calcula os dois e mostra lado a lado a cada tanque, para você conhecer o desvio do seu carro em vez de tentar adivinhar qual está certo. A coluna da central só aparece quando as viagens gravadas cobrem uma parcela suficiente da distância do intervalo, senão a comparação seria com uma amostra pequena demais para significar algo.
No cálculo ao vivo. O combustível declarado no cadastro define a base do cálculo, porque cada um tem densidade e mistura ar-combustível diferentes. Num flex, o app vai além: quando o carro informa o percentual de etanol no tanque, ele identifica a mistura (de E0 a E100) e reajusta o cálculo em tempo real, sem você precisar dizer o que abasteceu. Se o carro deixa de informar, ele segue com o último valor confiável em vez de errar a conta.
No controle de custos. Líquidos, GLP, GNV e elétrico têm consumos próprios que nunca se misturam. Um híbrido plug-in mostra o consumo de combustível e o consumo elétrico em km/kWh ao mesmo tempo, cada um com a sua média, e um carro a gás mantém o consumo de gás separado do de gasolina. Num mesmo abastecimento você pode lançar mais de um combustível, o que resolve o caso de completar com dois tipos na mesma parada.
Os códigos são separados entre confirmados, pendentes e permanentes, que dizem coisas diferentes sobre a gravidade e o estágio do problema.
A explicação de cada código vem de um catálogo extenso, com sintomas, causas prováveis e caminhos de solução. Ele não cobre todo código existente, principalmente os específicos de cada fabricante, então toda falha traz também um atalho de busca já preparado com o código, no seu idioma.
Você também pode apagar os códigos, e o histórico das leituras fica guardado para você ver se algum voltou. A varredura fica bloqueada com o carro em movimento, de propósito.
Porque cada um tem uma Prioridade, e o adaptador só consegue fazer uma pergunta por vez ao carro. Gastar esse tempo igualmente com tudo deixaria inutilizáveis justamente os números que mudam rápido.
São quatro níveis: Alta, lida em tempo real, Média, a cada 5 segundos, Baixa, a cada 60 segundos, e Uma vez por sessão para valores que não mudam, como o VIN. Velocidade e rotação são sempre lidas continuamente.
Dá para mudar a prioridade de qualquer sensor, e existe um ajuste geral para a velocidade de leitura dos sensores prioritários.
A integração nativa é feita para quem usa Home Assistant. Instala pelo HACS, pareia com um código de 6 dígitos e mantém uma conexão de mão dupla com estado persistente, então o Home Assistant continua sabendo a situação do carro mesmo depois de reiniciar. É também o caminho mais simples de configurar.
O MQTT é para quem já tem um broker ou usa outras plataformas além do Home Assistant, como Node-RED, openHAB, ioBroker ou Grafana. Ele publica em vários formatos, incluindo a descoberta automática do Home Assistant. Em troca dessa flexibilidade, exige o broker rodando e, para funcionar quando você está longe de casa, exige expor esse broker com segurança, o que dá mais trabalho de configuração.
Resumindo: se o seu destino é o Home Assistant, comece pela nativa; se for outro sistema, vá de MQTT. Os detalhes de cada uma estão em Home Assistant e MQTT.
Além de remover os anúncios, os planos pagos liberam:
- descoberta de sensores sem limite de quantidade;
- sensores calculados e eventos sem limite na exportação para Home Assistant e MQTT;
- transmissão quase em tempo real para Home Assistant e MQTT, no lugar do intervalo longo do plano gratuito;
- lançamento de receitas com o veículo;
- busca de locais ao lançar abastecimentos, despesas, serviços e manutenções;
- mapa das viagens sem restrição, na rota e na reprodução;
- temperatura dos pneus, além da pressão, nos veículos que expõem esse sensor e são compatíveis com o catálogo do app;
- painéis personalizáveis nos Dados em Tempo Real;
- exportação de relatórios e dos seus dados em arquivo;
- widget de estacionamento;
- mais veículos cadastrados.
O Pro é anual ou compra única vitalícia; o Pro Cloud é mensal ou anual. Um ponto que costuma gerar dúvida: a compra vitalícia dá o Pro, e não inclui a nuvem.
O plano gratuito é sustentado por anúncios. E há um caminho a mais: várias funções dos planos pagos podem ser liberadas pontualmente, assistindo a um anúncio premiado, sem assinar nada. É o caso da instalação de um perfil avançado do fabricante, da descoberta de sensores, das varreduras de diagnóstico intermediárias, da descoberta dos sensores de pneus e de algumas exportações. Assinar remove os anúncios e tira essa etapa do caminho.
Quantidade. No Free você exporta até 5 sensores da família dos calculados e de evento, que reúne o que o app produz e não o carro: consumo médio, hodômetro reconstruído, resumo de viagem, estacionamento, nota de condução, sensores do telefone e os números do controle de custos. Os sensores lidos direto da central do carro não entram nessa conta e são ilimitados em qualquer plano. A divisão não é arbitrária: de um lado o que o veículo informa, do outro o que o app calcula.
Frequência. No Free os valores ao vivo são enviados no máximo a cada 5 minutos, contra 0,5 segundo nos planos pagos. Esse intervalo afeta apenas a telemetria contínua, como velocidade e rotação; estacionamento, resumo de viagem e o restante continuam chegando na hora.
Os dados ficam criptografados com AES-256 no próprio aparelho, trafegam por conexão TLS e, do nosso lado, ficam em banco numa rede isolada com acesso restrito, atrás de várias camadas de firewall. Seguimos a LGPD, o GDPR e a CCPA/CPRA, e você pode excluir a conta e os dados quando quiser. Os detalhes estão na Política de Privacidade.
Ao entrar, o seu veículo e o adaptador pareado passam a sincronizar, o que já ajuda na hora de trocar de aparelho. Viagens, abastecimentos, despesas e o restante do histórico só sobem com o Pro Cloud. Num Pro sem nuvem eles nunca saem do telefone.